Glenn Greenwald solicita rejeição de denúncia contra ele

A 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal recebeu o recurso e agora cabe ao juiz federal Ricardo Leite decidir sobre a denúncia do MPF.

(Foto: AFP/Getty)

 

Nessa quarta-feira (22) entrou com pedido de rejeição da denúncia representada contra ele no MPF (Ministério Público Federal) o jornalista Glenn Greenwald, do site "The Intercept".

A 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal que recebeu a petição e agora cabe ao juiz federal Ricardo Leite decisão sobre aceitar ou não a denúncia do MPF. O jornalista passará a ser réu caso o juiz aceite.

Glenn Greenwald foi denunciado na terça-feira (21) na operação Spoofing, que está investigando ilícitos e invasões de celulares de autoridades para tais fins.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, entidades da imprensa e a OAB  fizeram críticas pela denúncia apresetada contra o jornalista.

A denúncia de Glenn ocorreu por supostos crimes como associação criminosa e de interceptação telefônica, informática ou telemática, não autorizadas judicialmente e sem ter em lei autorizações previstas.

O Intercept publicou, em 2019, conversas atribuídas ao então juiz federal e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e a procuradores da Operação Lava Jato. Segundo o site, Moro orientou ações e cobrou novas operações dos procuradores, o que, para o Intercept, evidencia parcialidade do então juiz.

Em 2019 o site Intercept publicou conversas atribuídas ao ministro da Justiça Sérgio Moro, que à época ocupava o cargo de juiz federal e também a procuradores componentes da Operação Lava Jato. Sobre Moro, segundo o site publicou, havia evidências da parcialidade do juiz à época alegando que ele fazia orientações e cobrava novas operações aos procuradores.

O MPF cita na denúncia contra Glenn crimes de associação criminosa e de interceptação telefônica, informática ou telemática não autorizadas judicialmente e sem ter em lei autorizações previstas. E também ressalva que Glenn "auxiliou, orientou e incentivou" durante o período de realização dos delitos pelo grupo de hackers que é suspeito de ter invadido os celulares de autoridades.

Nos argumentos dos advogados em defesa de Glenn, a linha seguida é a mesma apresentada nas manifestações que se viu no dia da prisão dele. Veja:

- desrespeito à decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que em agosto, impediu responsabilização de Glenn no âmbito profissional jornalístico;

- como a Constituição protege, não se deve utilizar a conversa entre Glenn e um dos investigados para fins de juntar provas por quebrar o sigilo da fonte;

- não há provas de que Glenn orientou hackers e tampouco de que tinha consciência sobre as invasões de celulares por conta dos investigados;

- a análise pela Polícia Federal dos mesmos diálogos que o MPF isentando de qualquer ato ilícito o jornalista.

 

Um trecho da petição cita o seguinte: "Ao contrário do que o contorcionismo retórico e interpretativo da denúncia tentou fazer parecer, os diálogos travados entre o requerente e sua fonte revelam apenas a ação de um jornalista profissional e cuidadoso, que em nenhum momento orientou, incentivou ou auxiliou sua fonte na obtenção do material de interesse jornalístico que lhe foi repassado".